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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Campo de Sobrevivência

O que ameaça

aproxima-se

antes de ter contorno.

 

O que responde

move-se

antes

de distinguir origem.

 

Há territórios

onde defesa e avanço

partilham

a mesma língua.

 

O medo prolongado

altera

o limite.

 

A contenção

fixa-se

como uma ferida que aprende

a durar.

 

Feridas antigas

não fecham,

organizam

o presente.

 

Há muros invisíveis

que orientam

o olhar.

 

Cada lado

reconhece

no outro

o mesmo perigo.

 

O conflito

já não depende

do que o iniciou.

 

Há guerras

que sobrevivem

à razão

da sua existência.

 

O que persiste

não conhece

fim.

 

As fronteiras

endurecem

ao redor

da memória.

 

O futuro

estreita-se

na antecipação

da ameaça.

 

O mundo reorganiza-se

em torno

do que teme perder,

como um corpo

que vigia

mesmo depois

do golpe.

 

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