O que ameaça
aproxima-se
antes de ter contorno.
O que responde
move-se
antes
de distinguir origem.
Há territórios
onde defesa e avanço
partilham
a mesma língua.
O medo prolongado
altera
o limite.
A contenção
fixa-se
como uma ferida que aprende
a durar.
Feridas antigas
não fecham,
organizam
o presente.
Há muros invisíveis
que orientam
o olhar.
Cada lado
reconhece
no outro
o mesmo perigo.
O conflito
já não depende
do que o iniciou.
Há guerras
que sobrevivem
à razão
da sua existência.
O que persiste
não conhece
fim.
As fronteiras
endurecem
ao redor
da memória.
O futuro
estreita-se
na antecipação
da ameaça.
O mundo reorganiza-se
em torno
do que teme perder,
como um corpo
que vigia
mesmo depois
do golpe.
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