Luz direta na cara,
os olhos ardem
e não conseguem fixar-se.
Tudo exposto:
a mesa,
a pele,
o interior da boca
quando falas.
A luz demora-se na pele,
e um lado do rosto sua primeiro.
A camisa cola,
o ar não circula.
Os movimentos encurtam,
ganham rigidez.
Endireitas o corpo,
puxas a manga,
ajeitas a gola,
limpas as mãos
num gesto que volta.
Nada pode ficar fora.
Mas há zonas que cedem:
atrás do joelho,
entre os dedos,
na nuca.
Ali o suor acumula,
fica preso.
Respiras mais curto,
e o peito não abre todo.
E continuas,
sem onde recuar,
até o corpo começar
a ceder.
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