Nunca tive raízes
profundas.
No início,
acreditei na força
das árvores maiores,
mas os troncos
também cediam por dentro.
Aprendi cedo
a escutar o vento
antes da tempestade.
Não fiquei.
Fui passando entre sombras
provisórias,
amparando‑me
a sombras de raízes
que ainda resistiam.
Houve árvores breves,
lugares onde o corpo abrandava
por instantes,
antes de voltar ao movimento.
Talvez por isso
nunca tenha aprendido
a fixar‑me.
Criar raízes
sempre parecia
outra forma de perigo.
E há dias
em que o cansaço
já não procura abrigo:
às vezes quero
deixar que me leve,
outras vezes
o vento move‑me
como galho solto.
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