Antes do acidente,
retiram o objeto.
Mudam-no de divisão,
fecham a porta,
vigiam o corredor.
Nada desaparece.
Apenas espera.
A idade avança dentro do intervalo.
Há movimentos
que deixam de acontecer
para não começarem.
Mais tarde,
quando toca naquilo que faltava,
não cai.
Fica a meio.
O relógio abranda,
o fogo mantém-se baixo,
os animais não atravessam o pátio.
Ninguém insiste.
A casa aprende a continuar parada.
Anos depois,
alguém entra.
Não procura resposta,
procura acesso.
O gesto aproxima-se do corpo intacto
como quem reabre um quarto fechado.
E tudo recomeça exactamente
onde tinha sido interrompido.
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