Não há lugar acima
onde o mundo seja julgado.
As coisas acontecem
sem se anunciarem,
como um objeto que se solta
num quarto vazio.
O que cai
já vinha cedendo,
fibra por fibra.
O que parte
trazia a linha antiga
dentro,
quase invisível.
Não há mão escondida
a corrigir o que falha,
nem atraso,
nem segunda tentativa.
Há apenas o encontro
entre o que vem
e o que resiste,
como duas superfícies
que não sabem ceder.
E nesse encontro
não há explicação,
só peso,
o som seco
do que se cumpre.
O sentido não chega pronto.
Surge tarde,
quando já não serve
para travar nada.
Depois disso
fica o que ficou,
um resto sem pergunta.
E nada observa.
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