Começas por abrir os olhos
e o mundo já está duplicado.
O ar entra igual
pelos dois lados do rosto.
Há outro corpo,
à distância exata de existir,
respira contigo.
Nenhum avança,
nenhum recua.
O chão aceita ambos
sem hesitar.
Quando escutas,
o som não ecoa,
parte-se.
Dois restos de silêncio,
quase coincidentes,
nunca sobrepostos.
Tentas escolher-te,
fixar um lado.
Mas o olhar falha,
fica preso entre versões,
como uma agulha que não assenta.
Um instante
tudo sustém.
Depois,
sem sinal,
uma cede.
Não sabes qual morreu.
Só sabes
que continuas.
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