A sala mantém a claridade
quando se entra.
A luz incide
no mesmo ângulo de sempre.
Na mesa,
os objetos não mudam de lugar.
Uma cadeira fora do alinhamento
introduz uma diferença.
O copo na borda
inclina-se
e o equilíbrio
já não se mantém.
A porta abre
além do habitual
e suspende-se.
Pó sobre o tampo
desenha um círculo irregular,
vestígio de algo
sem confirmação.
Só depois
isso.
O olhar regressa
para tentar confirmar.
Falha.
Nada se move.
Nada se corrige.
Nada confirma
o que foi visto.
O que está
persiste sem prova
e não se distingue
do que nunca chegou
a ser confirmado.
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