Não é recusa,
é cansaço do ruído.
A presença prolonga-se
até perder forma
e fica no ar,
como algo que não sai.
Uma cadeira
permanece ocupada
mesmo depois de vazia.
Ninguém a usa,
mas ninguém a devolve ao lugar.
O que antes chamava
já não sustém.
Fica o pensamento,
ali,
a ocupar o espaço
sem pedir resposta.
Há um ponto
em que o outro pesa.
E então afasta-se,
não por rejeição,
mas por excesso.
Não falta mundo,
mas um modo
de nele permanecer.
E, ainda assim,
algo insiste.
Sem comentários:
Enviar um comentário