A mente não erra,
força.
Ergue imagens,
já condenadas;
sabe.
Não para iludir;
ferir o real
com o que ainda nele
não cabe.
A lucidez intervém:
nomeia,
reduz,
corrige.
O desejo não cessa;
recomeça
no mesmo ponto
onde é desmentido.
Entre ambos,
desgaste:
um espaço
sem concessão;
um insiste em fechar,
o outro, rasgar.
E é aí
que se vive,
não entre o que é
e o que falta,
mas no atrito contínuo
de um mundo suficiente
para negar
e insuficiente
para calar.
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