Há lugares onde o rosto não se protege,
nem encontra movimento que o sustente.
Chega-se inteiro
e isso pesa.
Os outros movem-se
com uma disciplina invisível,
como se o corpo soubesse
até onde pode falhar sem cair.
E há um momento exato
em que se percebe:
não é a ausência de máscara que fere,
mas a sua presença tranquila nos outros,
não por engano, mas por adaptação.
O corpo aprende tarde
que ser claro não é ser seguro,
é apenas estar exposto.
E nessa nitidez
nasce uma vergonha discreta,
não do que se oculta,
mas do que insiste em aparecer.
Fica um atraso,
um desajuste mínimo,
entre chegar
e caber.
E ninguém corrige.
Mas tudo se ajusta a isso.
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