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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Baile sem Máscara

Há lugares onde o rosto não se protege,

nem encontra movimento que o sustente.

Chega-se inteiro

e isso pesa.

 

Os outros movem-se

com uma disciplina invisível,

como se o corpo soubesse

até onde pode falhar sem cair.

 

E há um momento exato

em que se percebe:

não é a ausência de máscara que fere,

mas a sua presença tranquila nos outros,

não por engano, mas por adaptação.

 

O corpo aprende tarde

que ser claro não é ser seguro,

é apenas estar exposto.

 

E nessa nitidez

nasce uma vergonha discreta,

não do que se oculta,

mas do que insiste em aparecer.

 

Fica um atraso,

um desajuste mínimo,

entre chegar

e caber.

 

E ninguém corrige.

Mas tudo se ajusta a isso. 

 

 

 

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