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segunda-feira, 25 de maio de 2026

CAMPO DE RUPTURA

I — Origem

 

O que começa

não precisa de permissão.

 

Há entradas

que não deixam marca.

 

O primeiro gesto

não explica o resto.

 

 

II — Falha

 

O que cede

não avisa.

 

Entre duas forças

não há equilíbrio,

há atraso.

 

A estabilidade

é só uma leitura posterior.

 

 

III — Aderência

 

O que se aproxima

não se fixa.

 

Há contacto

que não produz ligação.

 

O que encosta

nem sempre permanece.

 

 

IV — Corte

 

O que separa

não divide limpo.

 

A rutura

continua dentro do que separa.

 

Nada se interrompe por completo.

 

 

V — Persistência

 

O que desaparece

não sai totalmente.

 

Há restos de movimento

sem direção.

 

O fim

não conclui o sistema,

desloca-o.

 

 

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