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terça-feira, 26 de maio de 2026

Língua do Limite

Tudo o que cresce depressa

aprende, sem saber,

a língua do limite.

 

O calor acelera

a vida

até que o auge

se torna limiar.

 

Depois,

o impulso

começa a desfazer.

 

Há um ponto invisível

onde prosperar

já é começar a cair.

 

Nos lugares

estáveis,

a vida aproxima-se

da sua margem.

 

Qualquer desvio

reduz o possível.

 

A adaptação

não é fuga,

mas negociação

com o estreito.

 

Ajustar-se demais

é perder

a folga de existir.

 

Nem todo avanço sustenta,

nem todo ápice perdura.

 

Há um excesso

que rompe

a continuidade

em silêncio.

 

 

 

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