Seguidores

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Latência

O sinal parte.

Ar frio raspa a garganta.

Um corte seco.

Não chega.

 

O intervalo

não afasta:

comprime,

empurra por dentro,

desloca o pulso.

 

O que ocorre

não tem forma,

mas pesa no peito,

como ar que não entra.

 

Chega fora de ordem,

tropeça na língua,

ou já gasto,

como eco repetido até ferir.

 

O que se perde

continua a vibrar

em nervos dispersos,

pontos cegos da pele,

sem se soltar.

 

A resposta

não sabe quando,

insiste,

lateja.

 

Há ruído no meio,

um atrito áspero,

dente contra dente,

sem sequência.

 

Só desvio,

um corpo que erra

o próprio eixo.

 

O que surge

já não se sustenta,

escorre como suor,

não alivia.

 

Fica suspenso

como respiração presa

antes de ceder.

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário