O sinal parte.
Ar frio raspa a garganta.
Um corte seco.
Não chega.
O intervalo
não afasta:
comprime,
empurra por dentro,
desloca o pulso.
O que ocorre
não tem forma,
mas pesa no peito,
como ar que não entra.
Chega fora de ordem,
tropeça na língua,
ou já gasto,
como eco repetido até ferir.
O que se perde
continua a vibrar
em nervos dispersos,
pontos cegos da pele,
sem se soltar.
A resposta
não sabe quando,
insiste,
lateja.
Há ruído no meio,
um atrito áspero,
dente contra dente,
sem sequência.
Só desvio,
um corpo que erra
o próprio eixo.
O que surge
já não se sustenta,
escorre como suor,
não alivia.
Fica suspenso
como respiração presa
antes de ceder.
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