Não ensina.
A dor entra
sem contorno
e toma.
O corpo reage primeiro:
ombros sobem,
a respiração encurta,
a boca fecha
antes de haver palavra.
Não há escuta,
mas desvio.
O que encurta o ar
muda de lugar:
do peito para a nuca,
da nuca para a mão
que repete um trajeto
sem função.
Volta
em pequenas variações,
como som
que não encontra saída.
Às vezes
fica mais perto.
Encosta, não abre.
O corpo sustém
o que não passa.
E continua,
com peso desigual,
até que o peito
cede
não por força,
nem por decisão,
mas porque já não cabe
na mesma forma.
Sem comentários:
Enviar um comentário