Seguidores

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O Nome que Fica

Há nomes na pedra,

gastos pelos passos

e pela chuva que não escolhe onde cair.

 

Passa-se por eles

sem olhar,

até ao dia

em que deixam de ser fundo.

 

A luz muda

e o nome salta da parede.

 

Uns veem feitos,

outros, ausências.

 

Mãos que não ficaram,

corpos sem lugar

para deixar voz.

 

O que nunca foi escrito:

o peso nas costas,

o silêncio aprendido,

o que partiu sem regresso.

 

Não é o nome que persiste,

é o que vem depois:

a porta que não cede,

o caminho que estreita para alguns,

o olhar que passa ao lado.

 

Ainda se discute a pedra.

 

Como se a pedra cedesse

e o chão viesse atrás.

 

Mas deixá-la

também não a torna leve.

 

No gesto de apagar

ou de deixar ficar,

há algo que continua

sem precisar de nome.

 

A memória fica,

a realidade repete.

 

E o que permanece

não é escolha,

mas continuidade.

 

 


Sem comentários:

Enviar um comentário