Há nomes na pedra,
gastos pelos passos
e pela chuva que não escolhe onde cair.
Passa-se por eles
sem olhar,
até ao dia
em que deixam de ser fundo.
A luz muda
e o nome salta da parede.
Uns veem feitos,
outros, ausências.
Mãos que não ficaram,
corpos sem lugar
para deixar voz.
O que nunca foi escrito:
o peso nas costas,
o silêncio aprendido,
o que partiu sem regresso.
Não é o nome que persiste,
é o que vem depois:
a porta que não cede,
o caminho que estreita para alguns,
o olhar que passa ao lado.
Ainda se discute a pedra.
Como se a pedra cedesse
e o chão viesse atrás.
Mas deixá-la
também não a torna leve.
No gesto de apagar
ou de deixar ficar,
há algo que continua
sem precisar de nome.
A memória fica,
a realidade repete.
E o que permanece
não é escolha,
mas continuidade.
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