Um corpo ocupa espaço
como se tivesse de provar
que o merece.
A voz sobe
antes de escutar,
como se ceder
fosse desaparecer.
Mãos apertam
não por força,
mas por medo
de ficar sem nada.
E outras
que se mantêm abertas
mesmo quando podiam fechar.
Isto aprende-se sem aviso:
no que se vê,
no que se evita,
no que nunca é dito.
Endurece-se o tom
para esconder a dúvida,
fica-se quando já não é preciso,
segura-se demais
o que já queria partir.
E às vezes
o que parece força
é só barulho.
Outras vezes,
o que não se impõe
sustém.
No fim,
não é o que se faz
que define o homem,
mas o gesto que ele não faz
quando podia.
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