Começa devagar.
Uma recusa pequena,
um desvio,
o cuidado de não tocar
no que regressa.
Depois vêm os cálculos,
as rotas alternativas,
as palavras evitadas
como portas interditas.
A mente aprende
a vigiar antes do impacto;
constrói distância,
organiza silêncio,
reduz o mundo
ao que não ameaça.
Mas o que era proteção
vai alterando o espaço.
Os dias passam a mover-se
dentro de margens estreitas.
E há momentos
em que já não se sofre
pelo que feriu,
mas pelo esforço contínuo
de manter fechada
a mesma passagem.
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