Começa leve.
A frase entra limpa,
curta,
cabe inteira na boca.
Repete-se
sem esforço.
A cabeça acena
antes de acabar.
Há brilho no som,
um encaixe fácil
no ouvido.
Ninguém interrompe.
Depois,
uma palavra falha.
Fica a meio.
Um silêncio entra
onde não devia.
Alguém tenta corrigir,
mas a frase já vem pronta,
volta ao mesmo lugar.
Outra vez.
A língua trava
antes de soltar.
O ar pesa
antes de sair.
E o corpo aprende
a não avançar.
O som continua,
mais baixo.
As palavras chegam
com bordas gastas.
E, a certa altura,
já não é preciso dizer nada.
A boca fecha
antes da frase,
e fica assim,
sem ruído,
como se nunca tivesse havido
nada.
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