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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Sem ruído

Começa leve.

 

A frase entra limpa,

curta,

cabe inteira na boca.

 

Repete-se

sem esforço.

 

A cabeça acena

antes de acabar.

 

Há brilho no som,

um encaixe fácil

no ouvido.

 

Ninguém interrompe.

 

Depois,

uma palavra falha.

Fica a meio.

 

Um silêncio entra

onde não devia.

 

Alguém tenta corrigir,

mas a frase já vem pronta,

volta ao mesmo lugar.

 

Outra vez.

 

A língua trava

antes de soltar.

 

O ar pesa

antes de sair.

 

E o corpo aprende

a não avançar.

 

O som continua,

mais baixo.

 

As palavras chegam

com bordas gastas.

 

E, a certa altura,

já não é preciso dizer nada.

 

A boca fecha

antes da frase,

e fica assim,

sem ruído,

como se nunca tivesse havido

nada.

 

 

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