Nem sempre o fim
nasce da ruína.
Há vidas
que chegam a um ponto
de plenitude
e deixam de pedir
continuação.
Como um fogo
que não se extingue:
consome o que tinha
para dar.
Mas o mundo desconfia
de quem deseja parar
sem desespero.
Exige ferida,
exaustão,
prova de colapso.
Como se a permanência
fosse sempre mais sagrada
do que a consciência.
E no entanto
há instantes em que continuar
parece apenas desfazer lentamente
a forma exata
do que foi vivido.
Então o tempo
deixa de abrir.
Persiste.
E o corpo
já não avança
por esperança,
mas pela obrigação
de permanecer
dentro do movimento
dos outros.
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