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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Limite

Nem sempre o fim

nasce da ruína.

 

Há vidas

que chegam a um ponto

de plenitude

e deixam de pedir

continuação.

 

Como um fogo

que não se extingue:

consome o que tinha

para dar.

 

Mas o mundo desconfia

de quem deseja parar

sem desespero.

 

Exige ferida,

exaustão,

prova de colapso.

 

Como se a permanência

fosse sempre mais sagrada

do que a consciência.

 

E no entanto

há instantes em que continuar

parece apenas desfazer lentamente

a forma exata

do que foi vivido.

 

Então o tempo

deixa de abrir.

 

Persiste.

 

E o corpo

já não avança

por esperança,

mas pela obrigação

de permanecer

dentro do movimento

dos outros.

 

 

 

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