Um rosto atravessa a rua
e já não chega inteiro.
Ninguém recorda o primeiro sinal,
mas o corpo antecipou-o.
Um desvio mínimo,
quase nada,
como a sombra que se adianta
ao que ainda vem.
Os olhares pousam
com precisão herdada.
Não houve encontro,
apenas resposta.
E alguém mais novo, ao lado,
repete o gesto
como se fosse seu,
sem origem,
sem prova,
sem memória inteira.
Circula
de corpo em corpo,
sem nome fixo.
No fim,
fica apenas um nome,
já solto de quem o teve,
mas ainda a abrir
distância à sua volta.
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