Sem clarão visível,
no ponto exato
o tempo não chega.
O calor atravessa
antes de haver corpo.
O ar fecha-se
e deixa de devolver.
Tudo o que era
deixa de ser.
Mais longe,
a pressão chega.
Vidro, estrutura,
órgão,
cedem.
A pele abre
sem aviso.
Há distâncias
onde o fogo não toca,
mas persiste.
Depois,
o invisível
entra,
fixa-se,
desfaz por dentro.
Não cessa:
horas,
dias.
O corpo perde
o que o mantinha inteiro.
Mais longe ainda,
o pó levanta-se
e desloca-se.
Assenta,
mistura-se,
permanece
na água,
no solo,
na respiração.
Quem não viu
recebe.
Sem comentários:
Enviar um comentário