Na beira do deserto,
alguém guarda asas
sem nome.
Do outro lado,
contam o que se vê,
mas não sentem
o peso do que cala.
Se um dia o silêncio partir,
será porque decidiram
que o quase
era tudo
ou nada menos.
Arte
Na beira do deserto,
alguém guarda asas
sem nome.
Do outro lado,
contam o que se vê,
mas não sentem
o peso do que cala.
Se um dia o silêncio partir,
será porque decidiram
que o quase
era tudo
ou nada menos.
Algo reage antes de saber.
Não espera alinhamento,
nem sinal.
Um impulso abre
sem pedir lugar.
O corpo avança
num ponto
que não se protege.
Há um corte
que não anuncia dor,
mas muda de direção.
O movimento chega primeiro
do que a consciência dele.
Depois tenta-se entender,
mas já está feito.
E o que parecia estável
reorganiza-se
sem aviso.
(Poema escrito a partir de configurações astrológicas
associadas a meados de maio de 2026.)