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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Raio guardado

Na beira do deserto,

alguém guarda asas

sem nome.

 

Do outro lado,

contam o que se vê,

mas não sentem

o peso do que cala.

 

Se um dia o silêncio partir,

será porque decidiram

que o quase

era tudo

ou nada menos.

Antes do nome

Algo reage antes de saber.

 

Não espera alinhamento,

nem sinal.

 

Um impulso abre

sem pedir lugar.

 

O corpo avança

num ponto

que não se protege.

 

Há um corte

que não anuncia dor,

mas muda de direção.

 

O movimento chega primeiro

do que a consciência dele.

 

Depois tenta-se entender,

mas já está feito.

 

E o que parecia estável

reorganiza-se

sem aviso.

 

(Poema escrito a partir de configurações astrológicas associadas a meados de maio de 2026.)