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quinta-feira, 5 de março de 2026

Uma Branca de Neve

A Branca de Neve não cai:

é colocada a dormir.

 

O espelho ensina:

vales enquanto agradas;

quando deixas de o ser, sobras.

 

O abrigo cobra:

teto em troca de serviço.

Bondade contratual.

 

O veneno não força:

promete.

Poder não precisa de força,

precisa de desejo.

 

Ela dorme

porque agir cansa

e esperar dói menos que arriscar.

 

O príncipe não pergunta:

escolhe quem não exige reciprocidade.

 

E o “felizes para sempre”

ensina amor como resgate,

segurança como silêncio,

dependência como destino.

 

No fim,

ninguém aprende a escolher:

apenas a adaptar-se

à forma menos dolorosa

de não ser livre.

 

(Este poema nasce da leitura crítica do conto “Branca de Neve e os Sete Anões”, explorando os arquétipos de poder, submissão e dependência que atravessam a narrativa. A intenção é desnudar a história, mostrando como suas estruturas moldam comportamentos e expectativas, mesmo quando apresentadas como inocentes ou encantadas.)

 

 

 

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