A Branca de Neve não cai:
é colocada a dormir.
O espelho ensina:
vales enquanto agradas;
quando deixas de o ser, sobras.
O abrigo cobra:
teto em troca de serviço.
Bondade contratual.
O veneno não força:
promete.
Poder não precisa de força,
precisa de desejo.
Ela dorme
porque agir cansa
e esperar dói menos que arriscar.
O príncipe não pergunta:
escolhe quem não exige reciprocidade.
E o “felizes para sempre”
ensina amor como resgate,
segurança como silêncio,
dependência como destino.
No fim,
ninguém aprende a escolher:
apenas a adaptar-se
à forma menos dolorosa
de não ser livre.
(Este poema nasce da leitura crítica do conto “Branca
de Neve e os Sete Anões”, explorando os arquétipos de poder, submissão e
dependência que atravessam a narrativa. A intenção é desnudar a história,
mostrando como suas estruturas moldam comportamentos e expectativas, mesmo
quando apresentadas como inocentes ou encantadas.)
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