As palavras
multiplicam-se
em ruas estreitas;
explicam,
corrigem,
comentam,
respondem antes de ouvir.
Tudo é dito de perto,
com urgência,
com provas na mão,
frases prontas.
Mas falta céu.
Do outro lado,
há perguntas grandes demais
para caber
num argumento,
sentidos que não passam
em mensagens curtas.
Pensa-se muito,
entende-se pouco.
Repete-se dados,
perdeu-se o horizonte.
Quando a emoção sobe
não encontra linguagem comum:
ou vira grito,
ou vira cálculo.
O excesso de discurso
produz cegueira,
o excesso de razão
afasta o sentido.
A tensão
não pede mais informação,
pede altura.
Não um líder,
não uma verdade nova,
mas espaço
entre a frase
e o mundo.
(Poema inspirado nas concentrações de planetas em
Aquário e na Lua em Leão, traduzindo poeticamente a tensão social e coletiva
que atravessa o tempo e o espírito humano.)
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