Entre Liberdade e Apego
Há um espaço comum
onde todos caminhamos,
entre o que queremos
e o que nos ensinaram a temer.
Desejo e culpa respiram lado a lado,
e a vida insiste em exigir
escolhas impossíveis.
Amamos e somos amados
mas sempre sob a sombra
de normas invisíveis,
olhares que julgam,
vozes que condenam,
códigos silenciosos herdados.
E ainda assim,
no silêncio do dia,
quando ninguém observa,
há mãos que se tocam,
olhos que se encontram,
corações que insistem
em reconhecer
que o amor não precisa ser prisão,
e que a entrega pode ser leveza.
Não é ingenuidade,
mas resistência:
permitir que a vida nos atravesse
sem ceder inteiramente
à necessidade de agradar,
justificar ou temer.
Entre liberdade e apego,
desejo e culpa,
cresce a humanidade,
caminhando sempre
na tênue margem
do que podemos ser
e do que ousamos sentir.
Jardim das Margens
No jardim onde todos caminham,
flores proibidas brotam entre sombras.
Mãos querem tocar, corações ardem,
mas a voz herdada sussurra medo.
Ainda assim, rios invisíveis correm
entre pétalas e espinhos,
transformando desejo em cuidado
e culpa em compreensão.
No fim, a humanidade respira
entre sombra e luz,
aprendendo que o amor pode ser livre,
e que cada passo consciente
é uma flor que se abre.
(Entre sombra e luz, entre medo e desejo,
estes poemas habitam a margem onde a vida e o amor se
encontram.)
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