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quinta-feira, 5 de março de 2026

Entre Sombras e Flores

Entre Liberdade e Apego

 

Há um espaço comum

onde todos caminhamos,

entre o que queremos

e o que nos ensinaram a temer.

 

Desejo e culpa respiram lado a lado,

e a vida insiste em exigir

escolhas impossíveis.

 

Amamos e somos amados

mas sempre sob a sombra

de normas invisíveis,

olhares que julgam,

vozes que condenam,

códigos silenciosos herdados.

 

E ainda assim,

no silêncio do dia,

quando ninguém observa,

há mãos que se tocam,

olhos que se encontram,

corações que insistem

em reconhecer

que o amor não precisa ser prisão,

e que a entrega pode ser leveza.

 

Não é ingenuidade,

mas resistência:

permitir que a vida nos atravesse

sem ceder inteiramente

à necessidade de agradar,

justificar ou temer.

 

Entre liberdade e apego,

desejo e culpa,

cresce a humanidade,

caminhando sempre

na tênue margem

do que podemos ser

e do que ousamos sentir.

 

 

 

Jardim das Margens

 

No jardim onde todos caminham,

flores proibidas brotam entre sombras.

Mãos querem tocar, corações ardem,

mas a voz herdada sussurra medo.

 

Ainda assim, rios invisíveis correm

entre pétalas e espinhos,

transformando desejo em cuidado

e culpa em compreensão.

 

No fim, a humanidade respira

entre sombra e luz,

aprendendo que o amor pode ser livre,

e que cada passo consciente

é uma flor que se abre.

 

(Entre sombra e luz, entre medo e desejo,

estes poemas habitam a margem onde a vida e o amor se encontram.)

 

 

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