A verdade não grita,
arquiva-se.
Apaga-se um dia,
corrige-se o anterior,
e a memória aprende
a pedir autorização.
Não te obrigam a esquecer,
antes ensinam-te a duvidar
do que sentiste.
O medo não vem da punição,
mas do ajuste fino:
quereres estar certo
do lado errado.
Quando a palavra já não serve,
o silêncio faz carreira.
E o poder descansa
no momento exato
em que deixas de perguntar
se ainda és tu a pensar.
(Poema inspirado no universo simbólico de 1984, de George Orwell.)
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