Antes da moeda
houve
o sal.
Antes da palavra justa,
o que ardia na ferida
e mesmo assim salvava;
era sal.
Não se comia por prazer,
mas para continuar.
Não se oferecia por luxo,
mas como pacto silencioso
entre quem parte
e quem fica.
O sal não promete:
preserva.
Impede que o corpo apodreça
no tempo
e que a memória se dissolva
no esquecimento.
Por isso valeu mais que ouro,
porque ouro
brilha
e sal
permanece.
Há trabalhos pagos em aplauso,
outros em medo.
O verdadeiro
pagamento
é aquilo que te mantém
inteiro
quando tudo o resto falha.
O corpo sabe
quanto precisa.
E a história também:
quando o sal falta,
não é o sabor que se perde,
é a possibilidade
de continuar.
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