Seguidores

quinta-feira, 5 de março de 2026

Sal

Antes da moeda
houve o sal.

Antes da palavra justa,
o que ardia na ferida
e mesmo assim salvava;
era sal.

Não se comia por prazer,
mas para continuar.
Não se oferecia por luxo,
mas como pacto silencioso
entre quem parte
e quem fica.

O sal não promete:
preserva.

Impede que o corpo apodreça
no tempo
e que a memória se dissolva
no esquecimento.

Por isso valeu mais que ouro,
porque ouro
brilha
e sal
permanece.

Há trabalhos pagos em aplauso,
outros em medo.
O verdadeiro
pagamento
é aquilo que te mantém
inteiro
quando tudo o resto falha.

O corpo sabe
quanto precisa.

E a história também:
quando o sal falta,
não é o sabor que se perde,
é a possibilidade
de continuar.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.