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segunda-feira, 2 de março de 2026

Banal

Não foi o ódio

que puxou o gatilho;

foi o hábito.

 

A frase pronta,

o carimbo certo,

o movimento aprendido

sem pergunta.

 

Ninguém decidiu matar,

apenas cumprir.

 

O mal passou

de mão em mão

como um papel administrativo,

sem olhar ninguém nos olhos.

 

Pensar teria atrasado o processo;

feito ruído demais,

e por isso

não se pensou.

 

O mais grave

não é a crueldade,

mas o silêncio interior

onde já não há diálogo

com o que somos.

 

Quando ninguém responde por si,

o mal não precisa de gritar.

 

 

 

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