Não foi o ódio
que puxou o gatilho;
foi o hábito.
A frase pronta,
o carimbo certo,
o movimento aprendido
sem pergunta.
Ninguém decidiu matar,
apenas cumprir.
O mal passou
de mão em mão
como um papel administrativo,
sem olhar ninguém nos olhos.
Pensar teria atrasado o processo;
feito ruído demais,
e por isso
não se pensou.
O mais grave
não é a crueldade,
mas o silêncio interior
onde já não há diálogo
com o que somos.
Quando ninguém responde por si,
o mal não precisa de gritar.
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