Não nasceu do excesso,
mas da memória da ferida.
Foram muitos os que obedeceram,
aprenderam a baixar os olhos
e a caber no molde
para não desaparecer.
Quando o número cresceu,
chamaram-lhe força;
razão.
O que antes doía
passou a ser regra;
o medo antigo vestiu
a roupa da lei.
Ninguém quis dominar;
apenas não voltar a ser esmagado.
Mas a mão que protege aperta,
e o consenso que consola
abafa.
A maioria
não percebe o instante exato
em que deixa de se defender
e começa a repetir aquilo
que a feriu.
A tirania muda de voz,
não de hábito.
E o mais difícil
não é resistir ao opressor,
mas reconhecer-se
no espelho
quando se vence.
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