Há pessoas
que não chegam para ficar,
chegam como quem procura assento
numa sala já habitada.
Testam o conforto,
e encostam o corpo
à estabilidade que não construíram.
Enquanto a madeira sustenta,
permanecem.
Confundimos peso com presença,
frequência com raiz
e palavra com permanência.
Mas quem ocupa
não atravessa tempestades,
não segura a mesa
quando o chão treme,
nem repara rachaduras.
Levanta-se
quando o ambiente aquece,
como se nada ali
lhe pertencesse.
Não é maldade;
é ausência de intenção.
Há quem queira casa
e quem queira apenas abrigo.
Aprender a diferença
é deixar de implorar
que alguém permaneça sentado
onde nunca desejou criar raízes.
A cadeira não arde por abandono,
arde por lucidez.
E quando o fogo passa,
fica o espaço livre
para quem não teme o calor
de permanecer.
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