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quarta-feira, 4 de março de 2026

Entre o Olhar e o Chão

Não vemos o mundo,

tocamo-lo com histórias antigas

presas aos olhos.

 

O cérebro não mente;

protege.

Costura sentido

onde a ferida ainda sangra.

 

Há dores que nascem

do que se foi,

outras do que se é,

e confundir-nos

também dói.

 

Mudar o olhar

não apaga o impacto.

Há muros

que não são metáfora,

e quedas que não dependem da luz.

 

Interpretar é humano,

negar o chão, não.

 

A lucidez começa

quando a percepção aprende

a escutar o que resiste

a ser explicado.

 

 

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