Há um rumor no mundo,
como se o chão tremesse
por baixo da pele das cidades:
torres falam alto,
vozes prometem ordem,
e, no entanto, cresce
um cansaço antigo
nos ossos da humanidade.
Há mãos que assinam destinos
como quem move peças
num tabuleiro,
e vidas que se quebram
sem direito a eco.
Parece, às vezes,
que uma boca invisível devora:
países,
rostos,
futuros.
Chamam-lhe progresso,
segurança,
inevitável;
mas não é inevitável.
Porque entre as ruínas
há mães que continuam
a embalar filhos,
vizinhos
que repartem pão,
gente comum
que escolhe não odiar.
A história nunca pertenceu
apenas aos que gritam
mais alto,
mas também aos que resistem
sem espetáculo,
aos que constroem
quando tudo parece ruir.
O mal faz barulho,
a esperança trabalha em silêncio.
E sempre que alguém
protege uma vida,
recusa a mentira,
ou decide não esmagar
o outro;
uma engrenagem
do monstro enferruja.
O mundo não é um altar
de sacrifício,
é um campo em disputa.
E enquanto houver
quem escolha cuidar
em vez de devorar,
nenhum império será
eterno,
e nenhuma sombra será
absoluta.
A esperança
não é ingenuidade,
é uma decisão diária
de nunca entregar o coração
ao medo.
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