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quinta-feira, 5 de março de 2026

Entre Impérios e Cinzas

Há um rumor no mundo,

como se o chão tremesse

por baixo da pele das cidades:

torres falam alto,

vozes prometem ordem,

e, no entanto, cresce

um cansaço antigo

nos ossos da humanidade.

 

Há mãos que assinam destinos

como quem move peças

num tabuleiro,

e vidas que se quebram

sem direito a eco.

 

Parece, às vezes,

que uma boca invisível devora:

países,

rostos,

futuros.

 

Chamam-lhe progresso,

segurança,

inevitável;

mas não é inevitável.

 

Porque entre as ruínas

há mães que continuam

a embalar filhos,

vizinhos

que repartem pão,

gente comum

que escolhe não odiar.

 

A história nunca pertenceu

apenas aos que gritam

mais alto,

mas também aos que resistem

sem espetáculo,

aos que constroem

quando tudo parece ruir.

 

O mal faz barulho,

a esperança trabalha em silêncio.

 

E sempre que alguém

protege uma vida,

recusa a mentira,

ou decide não esmagar

o outro;

uma engrenagem

do monstro enferruja.

 

O mundo não é um altar

de sacrifício,

é um campo em disputa.

 

E enquanto houver

quem escolha cuidar

em vez de devorar,

nenhum império será

eterno,

e nenhuma sombra será

absoluta.

 

A esperança

não é ingenuidade,

é uma decisão diária

de nunca entregar o coração

ao medo.

 

 

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