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segunda-feira, 2 de março de 2026

Má-fé

Não foi falta de escolha,

foi fingir que já não havia.

 

Disse-se:

é assim; o trabalho, a vida,

como se as mãos

se movessem sozinhas.

 

A liberdade ficou de lado,

não por ausência,

mas por medo do peso.

 

Escolher cansa;

cansa muito.

Assumir custa.

Então representa-se

um papel já escrito.

 

A má-fé não é mentira

dita aos outros;

é silêncio consigo,

olhar para o espelho

e desviar os olhos.

 

E no entanto,

basta um gesto

não previsto,

uma recusa pequena,

para que tudo abale.

 

Porque a verdade insiste:

ninguém nos vive por nós.

 

 

(Poema inspirado no conceito de “má-fé” desenvolvido por Jean-Paul Sartre, explorando em linguagem poética a recusa da liberdade e da responsabilidade individual.)

 

 

 

 

 

 

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