Não foi falta de escolha,
foi fingir que já não havia.
Disse-se:
é assim; o trabalho, a vida,
como se as mãos
se movessem sozinhas.
A liberdade ficou de lado,
não por ausência,
mas por medo do peso.
Escolher cansa;
cansa muito.
Assumir custa.
Então representa-se
um papel já escrito.
A má-fé não é mentira
dita aos outros;
é silêncio consigo,
olhar para o espelho
e desviar os olhos.
E no entanto,
basta um gesto
não previsto,
uma recusa pequena,
para que tudo abale.
Porque a verdade insiste:
ninguém nos vive por nós.
(Poema inspirado no conceito de “má-fé” desenvolvido
por Jean-Paul Sartre, explorando em linguagem poética a recusa da liberdade e
da responsabilidade individual.)
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.