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quarta-feira, 4 de março de 2026

O que me Fica

A poesia não pede troca;

passa por mim

como vento que sabe o caminho

e deixa-me no corpo

mais do que levou.

 

Dou-lhe acolhimento,

tempo aberto,

um lugar onde pousar.

 

Ela devolve sentido

onde não havia forma,

e sustenta-me

quando não sei sustentar nada.

 

Não é minha;

atravessa-me.

 

E isso basta

para eu ficar;

pão sem nome. 

 

 

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