Não grites comigo
quando quiseres que eu corra.
Se há urgência demais
desconfio.
Se há um culpado único
aproximo-me devagar,
como quem examina
uma fissura na parede
antes de declarar ruína.
Não me seduz
a voz alinhada,
nem a frase devolvida,
vez após vez,
até ganhar aparência de verdade.
A verdade não precisa de megafone;
respira
e suporta perguntas.
Quando me oferecem
medo embalado
com laço de salvação,
abro a caixa com cuidado;
o medo é sempre mais antigo
do que o vendedor.
Não procuro
a névoa que embaralha;
escuto,
investigo
e duvido até de mim.
Prefiro a pergunta honesta
à certeza emprestada.
E se algum dia
me quiserem conduzir,
que seja pela consciência
e não pelo empurrão.
Porque liberdade
não é elevar a voz,
é conseguir permanecer
inteiro
no meio da turbulência.
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