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quinta-feira, 5 de março de 2026

Manual para Não Ser Conduzido

Não grites comigo

quando quiseres que eu corra.

 

Se há urgência demais

desconfio.

 

Se há um culpado único

aproximo-me devagar,

como quem examina

uma fissura na parede

antes de declarar ruína.

 

Não me seduz

a voz alinhada,

nem a frase devolvida,

vez após vez,

até ganhar aparência de verdade.

 

A verdade não precisa de megafone;

respira

e suporta perguntas.

 

Quando me oferecem

medo embalado

com laço de salvação,

abro a caixa com cuidado;

o medo é sempre mais antigo

do que o vendedor.

 

Não procuro

a névoa que embaralha;

escuto,

investigo

e duvido até de mim.

 

Prefiro a pergunta honesta

à certeza emprestada.

 

E se algum dia

me quiserem conduzir,

que seja pela consciência

e não pelo empurrão.

 

Porque liberdade

não é elevar a voz,

é conseguir permanecer

inteiro

no meio da turbulência.

 

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