Há quem levante a voz
para que a sala não repare
no tremor das mãos.
E construa ameaças
como quem ergue muralhas:
não para impedir o outro,
mas para não ter de olhar
para fora.
Quem governa pelo medo
dorme leve,
ouve passos onde não há chão,
confundindo silêncio
com conspiração.
A ordem precisa ser repetida,
o castigo lembrado,
o controlo renovado
como feitiço frágil.
Não é força o que sustém isso,
é vigília,
nem poder,
é cansaço organizado.
Enquanto isso,
o medo circula,
muda de corpo,
não de dono.
E a paz, essa,
fica sempre do lado de fora,
sentada num banco simples,
à espera de quem já não precise
do medo
para existir.
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