Chamavam-lhe exceção
até ele entrar pela porta principal
e sentar-se à mesa.
Nada nos manuais previa
o colapso vindo do silêncio,
o erro que não grita,
ou o acontecimento que não pede licença.
Os especialistas ajustam gráficos
depois do estrago,
os comentadores encontram sentido
no que nunca quiseram imaginar.
Não foi azar,
mas excesso de confiança
em sistemas que só funcionam
quando nada de importante acontece.
O cisne não é negro
por ser raro,
mas porque ninguém quis olhar
para o lago inteiro.
E quando surge,
não destrói o mundo:
apenas expõe
quem construiu tudo
como se o imprevisível
fosse indecente.
(Poema inspirado no livro "O Cisne Negro”, de
Nassim Nicholas Taleb, explorando o impacto do imprevisível e a
responsabilidade de quem observa.)
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.