No fundo da gaveta
há um carrinho sem rodas:
não anda,
não serve,
não explica nada.
Ficou ali
quando a casa mudou de mãos,
quando os adultos decidiram
o que valia a pena levar.
A engrenagem
passou por cima
com caixas bem marcadas:
datas, destinos.
O carrinho ficou
porque não cabia em nenhum plano.
Mas nele ainda resta
o movimento repetido,
o chão imaginado,
uma tarde inteira
que nunca virou história.
A memória não avança;
se detém,
e às vezes é num objeto inútil
que o passado
recusa desaparecer.
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