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segunda-feira, 2 de março de 2026

Brinquedo

No fundo da gaveta

há um carrinho sem rodas:

não anda,

não serve,

não explica nada.

 

Ficou ali

quando a casa mudou de mãos,

quando os adultos decidiram

o que valia a pena levar.

 

A engrenagem

passou por cima

com caixas bem marcadas:

datas, destinos.

 

O carrinho ficou

porque não cabia em nenhum plano.

 

Mas nele ainda resta

o movimento repetido,

o chão imaginado,

uma tarde inteira

que nunca virou história.

 

A memória não avança;

se detém,

e às vezes é num objeto inútil

que o passado

recusa desaparecer.

 

 

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