Ninguém assinou nada;
ainda assim, todos sabiam
onde ficar,
como falar,
quando sorrir.
As frases começaram a chegar prontas,
leves,
com o tom certo para não ferir
nem levantar poeira.
Quem hesitava
era ajudado
e quem discordasse
era enquadrado;
tudo com cuidado,
como quem ajusta a gravata
antes de uma fotografia.
Não houve ordens,
houve exemplos,
nem castigos,
mas olhares.
Pouco a pouco,
as escolhas tornaram-se óbvias,
e o óbvio dispensou perguntas.
Chamaram-lhe:
bom senso,
adaptação,
maturidade.
E quando alguém perguntou
quem tinha decidido tudo aquilo,
ninguém soube responder.
Porque o método era esse:
não mandar,
não proibir,
não gritar.
Apenas fazer com que cada um
acreditasse
que tinha chegado lá
sozinho.
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