Nascem em frascos transparentes,
rotulados antes do primeiro choro.
Não há pecado,
porque não há escolha,
nem culpa,
porque o desejo já vem programado.
A felicidade distribui-se
em comprimidos sem memória;
ama-se o que se deve amar,
e odeia-se o que convém odiar.
Ninguém sofre o bastante
para perguntar porquê;
e assim a paz permanece,
limpa,
estável,
amoral.
(Este poema inspira-se na visão de Aldous Huxley em
Admirável Mundo Novo, explorando o perigo de uma sociedade que elimina o
conflito não pela maturidade ética, mas pela supressão da liberdade interior. A
ausência de dor não equivale à presença de consciência. Quando a escolha é
substituída pela programação, o bem e o mal tornam-se irrelevantes, e a paz,
embora estável, deixa de ser humana.)
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