Começa no corpo,
terra que sente frio, fome, toque,
raiz aberta ao mundo
aprendendo pelos sentidos.
Depois a água move-se por dentro,
marés sem calendário,
o coração descobrindo
o nome das suas próprias ondas.
Há um fogo que se acende
quando a mente tenta ordenar o caos,
erguendo pontes frágeis
sobre o que ainda não compreende.
Mais fundo existe uma gruta respirando,
memórias antigas,
padrões que caminham na sombra
como se o passado nunca tivesse partido.
E então o outro,
rosto que devolve o nosso,
espelho onde percebemos
que ninguém atravessa a vida sozinho.
Acima disso tudo,
um céu que não está fora,
mas expandido no peito,
como se o infinito coubesse
numa única inspiração.
E, lentamente, o mapa deixa de ter margens,
terra, água, fogo, sombra e encontro
misturam-se numa presença inteira,
onde o eu já não é limite
mas passagem,
ponte viva entre tudo o que respira.
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