Seguidores

quinta-feira, 5 de março de 2026

Cartografia Interior

Começa no corpo,

terra que sente frio, fome, toque,

raiz aberta ao mundo

aprendendo pelos sentidos.

 

Depois a água move-se por dentro,

marés sem calendário,

o coração descobrindo

o nome das suas próprias ondas.

 

Há um fogo que se acende

quando a mente tenta ordenar o caos,

erguendo pontes frágeis

sobre o que ainda não compreende.

 

Mais fundo existe uma gruta respirando,

memórias antigas,

padrões que caminham na sombra

como se o passado nunca tivesse partido.

 

E então o outro,

rosto que devolve o nosso,

espelho onde percebemos

que ninguém atravessa a vida sozinho.

 

Acima disso tudo,

um céu que não está fora,

mas expandido no peito,

como se o infinito coubesse

numa única inspiração.

 

E, lentamente, o mapa deixa de ter margens,

terra, água, fogo, sombra e encontro

misturam-se numa presença inteira,

onde o eu já não é limite

mas passagem,

ponte viva entre tudo o que respira.

  

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.