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terça-feira, 28 de abril de 2026

Sem Morada

A poesia é mais do que o poeta,

e o poeta, menos do que pensa.

 

Se fosse apenas poeta,

não o seria.

 

Há nele um impulso

de atravessar o que é,

de se desfazer

para voltar a formar-se.

 

Não escreve só por si:

tenta tocar

o que nos outros

permanece por dizer.

 

Mas há palavras

que fingem ser poesia

e apenas repetem o vazio.

 

E há quem nelas se reconheça

sem nunca ter sonhado.

 

O poeta, se o for,

não se fixa:

não diz “aqui fico”,

nem chama casa ao lugar

onde o nome repousa.

 

Porque no instante

em que se define,

perde o que o move.

 

E fica só

o que já foi dito.

 

 

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