A poesia é mais do que o poeta,
e o poeta, menos do que pensa.
Se fosse apenas poeta,
não o seria.
Há nele um impulso
de atravessar o que é,
de se desfazer
para voltar a formar-se.
Não escreve só por si:
tenta tocar
o que nos outros
permanece por dizer.
Mas há palavras
que fingem ser poesia
e apenas repetem o vazio.
E há quem nelas se reconheça
sem nunca ter sonhado.
O poeta, se o for,
não se fixa:
não diz “aqui fico”,
nem chama casa ao lugar
onde o nome repousa.
Porque no instante
em que se define,
perde o que o move.
E fica só
o que já foi dito.
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