Todos dizem que sabem,
mas quem mediu a distância
entre notícia e facto?
O mundo oferece imagens rápidas,
títulos que gritam mais alto
do que perguntas.
E tu sentas-te, atento,
tentando separar o sal do mar.
Mas será que o sal
já não vem misturado com areia?
Vês líderes a falar,
promessas suspensas no ar,
decisões que atravessam continentes
e rastos de sofrimento invisível.
Alguém decidiu,
ou apenas seguimos cegos?
Cada informação
é um espelho quebrado:
o reflexo parece certo,
mas será inteiro?
Se concordas, estás a pensar
ou apenas a repetir?
Se discordas, estás a questionar
ou apenas a defender uma crença?
O silêncio que te oferecem,
a repetição constante,
a fadiga moral:
são armadilhas
ou são tuas escolhas?
Não há resposta fácil,
nem conclusão segura.
Há apenas a consciência que insiste:
observar, interrogar, duvidar
antes de aceitar,
de obedecer,
de permitir que a mente
se torne dócil.
No fim,
o mundo continuará ruído;
mas a tua capacidade de pensar
permanece,
a última liberdade
que ninguém te pode conceder
nem retirar.
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