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terça-feira, 7 de abril de 2026

Pirâmide de Sombras

No topo

ergue-se a chama,

não para aquecer,

mas para cegar.

 

Degrau a degrau,

mãos firmes

e dentes cerrados,

subindo sobre o suor,

a vida

e o silêncio dos outros.

 

Cada olhar medido,

cada ato calculado,

cada sorriso:

ponte

ou lâmina.

 

O brilho é ostentação,

o aplauso,

em falsa recompensa.

 

A influência serpenteia,

a visibilidade engole,

e o poder cresce

sobre escombros de humanidade.

 

No fundo,

a multidão respira entre sombras,

espera,

luta,

ama,

 

invisível

para os que erguem o trono,

que não conhecem o nome da justiça,

e nunca sentiram o peso

de um coração inteiro.

 

E ainda assim,

a vida insiste,

a humanidade insiste,

 

mesmo quando tratada como nada,

como se não existisse.

 

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