No topo
ergue-se a chama,
não para aquecer,
mas para cegar.
Degrau a degrau,
mãos firmes
e dentes cerrados,
subindo sobre o suor,
a vida
e o silêncio dos outros.
Cada olhar medido,
cada ato calculado,
cada sorriso:
ponte
ou lâmina.
O brilho é ostentação,
o aplauso,
em falsa recompensa.
A influência serpenteia,
a visibilidade engole,
e o poder cresce
sobre escombros de humanidade.
No fundo,
a multidão respira entre sombras,
espera,
luta,
ama,
invisível
para os que erguem o trono,
que não conhecem o nome da justiça,
e nunca sentiram o peso
de um coração inteiro.
E ainda assim,
a vida insiste,
a humanidade insiste,
mesmo quando tratada como nada,
como se não existisse.
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