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terça-feira, 21 de abril de 2026

Aquilo que Aumenta

Um desvio

nasce sem aviso,

como uma maré

a puxar por dentro.

 

As paredes sabem primeiro,

encolhem ligeiramente,

o corpo encontra resistência

no mais simples:

uma chávena pousada com força a mais,

um silêncio que não encaixa.

 

As palavras tropeçam

antes de chegarem à boca,

e quando chegam

já vêm armadas.

 

Um impulso súbito

de dizer tudo de uma vez,

como quem atira fósforos

sem escolher onde.

 

Mas nada arde,

apenas range.

 

No meio desse ranger,

tenta-se suavizar o ar,

alisar o que não cede,

fazer caber o que insiste em crescer.

 

Por instantes, quase resulta:

um ajuste mínimo,

um acordo breve,

como luz a atravessar água turva.

 

Mas a instabilidade infiltra-se,

percorre o que parecia calmo.

 

As vozes sobem,

e aquilo que era só um movimento

cresce.

 

No fim,

fica a dúvida suspensa:

se houve proteção

ou apenas ampliação.

 

 

(Poema desenvolvido a partir da leitura de aspetos astrológicos de 22 de abril de 2026.)

 

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