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terça-feira, 28 de abril de 2026

Tudo Sustenta

Não há mãos

que me guiem,

nem olhos

que me julguem,

nem voz

que prometa salvação

ou incuta medo.

 

E, no entanto,

respiro,

existo,

penso;

órgãos funcionam,

sangue corre,

céus giram

em silêncio calculado.

 

Há ordem

no que cresce,

cai,

e no que regressa,

como se houvesse

um pensamento

anterior a tudo,

não humano,

nem nomeável,

que não nos guia,

mas sustém

o que somos

sem precisar de nós.

 

Não procuro abrigo,

nem conforto

em narrativas humanas;

procuro apenas perceber,

e ser consciente da dança

do inevitável,

onde tudo funciona,

e nada se perde,

e nada se cria,

e nada se inventa.

 

Aqui,

no pulsar do cosmos,

encontro o meu lugar:

nem senhor,

nem servo,

mas participante lúcido

da vida,

em diálogo silencioso

com a Inteligência

que tudo é.

 

 

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