Não há mãos
que me guiem,
nem olhos
que me julguem,
nem voz
que prometa salvação
ou incuta medo.
E, no entanto,
respiro,
existo,
penso;
órgãos funcionam,
sangue corre,
céus giram
em silêncio calculado.
Há ordem
no que cresce,
cai,
e no que regressa,
como se houvesse
um pensamento
anterior a tudo,
não humano,
nem nomeável,
que não nos guia,
mas sustém
o que somos
sem precisar de nós.
Não procuro abrigo,
nem conforto
em narrativas humanas;
procuro apenas perceber,
e ser consciente da dança
do inevitável,
onde tudo funciona,
e nada se perde,
e nada se cria,
e nada se inventa.
Aqui,
no pulsar do cosmos,
encontro o meu lugar:
nem senhor,
nem servo,
mas participante lúcido
da vida,
em diálogo silencioso
com a Inteligência
que tudo é.
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