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quarta-feira, 29 de abril de 2026

A Fábrica da Luz Acesa

Ninguém manda,

e, no entanto,

ninguém pára.

 

Cada um carrega a sua exigência

com mãos próprias,

e chama-lhe vontade.

 

Há luz em todas as janelas

mesmo quando não há ninguém em casa.

 

Corpos sentados,

mentes em produção contínua.

 

Dizem:

é escolha,

e acreditam.

 

Os dias não têm arestas,

escorrem uns nos outros

como horas sem peso

que exigem tudo.

 

Descansar tornou-se suspeito,

uma falha no sistema,

uma dissonância a corrigir.

 

E assim avançam,

não empurrados,

mas puxados por dentro,

como máquinas delicadas

que aprenderam a desejar

o próprio desgaste.

 

Ninguém manda,

e, no entanto,

ninguém pára.

 

 

 

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