Ninguém manda,
e, no entanto,
ninguém pára.
Cada um carrega a sua exigência
com mãos próprias,
e chama-lhe vontade.
Há luz em todas as janelas
mesmo quando não há ninguém em casa.
Corpos sentados,
mentes em produção contínua.
Dizem:
é escolha,
e acreditam.
Os dias não têm arestas,
escorrem uns nos outros
como horas sem peso
que exigem tudo.
Descansar tornou-se suspeito,
uma falha no sistema,
uma dissonância a corrigir.
E assim avançam,
não empurrados,
mas puxados por dentro,
como máquinas delicadas
que aprenderam a desejar
o próprio desgaste.
Ninguém manda,
e, no entanto,
ninguém pára.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.