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segunda-feira, 13 de abril de 2026

O Rei do Espelho

Há um homem que governa salas vazias

como se fossem multidões.

 

Ergue-se na luz que ele próprio projeta,

e toma o brilho por destino.

 

O mundo devolve-lhe a silhueta

ligeiramente maior do que é,

e ele chama a isso verdade.

 

Fala, e o som regressa-lhe limpo,

como se não tivesse passado por ninguém.

Escuta apenas o que se parece com ele.

 

Não conhece o intervalo entre ato e consequência,

nem o silêncio onde as coisas se corrigem.

 

Sorri sem que o sorriso lhe chegue aos olhos,

como quem aprendeu a cerimónia

mas perdeu o lugar da alegria.

 

E quando a presença se dispersa,

fica diante de si, intacto,

procurando confirmação

no vidro que não responde.

 

Não é a queda que o nomeia,

mas a superfície onde sempre esteve.

 

 

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