Houve cidades onde a alegria era inteira,
o medo não tinha casa,
e o pudor não ditava lei.
Ali, cada gesto era sagrado,
cada riso, solto,
cada instante, inteiro.
Mas olhos invejosos vigiaram,
línguas contaram pecados inexistentes,
e mãos acreditaram ser justiça.
Onde o dedo tocou,
o mundo murchou,
o riso silenciou,
e o gesto se enrijeceu.
O que era natural tornou-se suspeita,
o prazer virou crime,
e a abundância despertou temor.
Ainda assim,
nos cantos intocados,
a alegria cresce selvagem,
e a liberdade dança sem medo.
O tempo corre sem aprisionar,
o instante permanece inteiro;
nada externo pode tocar
o que é verdadeiramente humano.
Onde houver liberdade verdadeira,
ali sobrevive o que nenhum dedo pode corromper,
e ali, o paraíso não é esquecido.
E quem é feliz
jamais será cruel.
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