Há quem fale
como quem ergue muros;
palavras firmes,
sem portas.
Trazem verdades prontas,
herdadas como nomes,
repetidas
sem raiz visível.
E eu,
entre o impulso de responder
e a lucidez de calar,
fico.
Nem tudo pede voz
e nem toda a diferença
merece ponte.
Há ideias que se escutam
como se observa o fogo:
de longe,
com respeito pelo que pode
queimar.
Compreender
não é ajoelhar diante do outro,
é apenas ver o desenho
sem o vestir.
E há dias
em que ver basta.
Porque há linhas
que não se atravessam
sem deixar de ser quem se é.
Então escolho:
onde entro,
onde fico à margem,
e onde o silêncio
é mais inteiro que qualquer
argumento.
E sigo,
não mais certo,
mas mais fiel
ao que em mim não negocia.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.