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terça-feira, 28 de abril de 2026

Entre Ouvir e Ficar

Há quem fale

como quem ergue muros;

palavras firmes,

sem portas.

 

Trazem verdades prontas,

herdadas como nomes,

repetidas

sem raiz visível.

 

E eu,

entre o impulso de responder

e a lucidez de calar,

fico.

 

Nem tudo pede voz

e nem toda a diferença

merece ponte.

 

Há ideias que se escutam

como se observa o fogo:

de longe,

com respeito pelo que pode

queimar.

 

Compreender

não é ajoelhar diante do outro,

é apenas ver o desenho

sem o vestir.

 

E há dias

em que ver basta.

 

Porque há linhas

que não se atravessam

sem deixar de ser quem se é.

 

Então escolho:

onde entro,

onde fico à margem,

e onde o silêncio

é mais inteiro que qualquer

argumento.

 

E sigo,

não mais certo,

mas mais fiel

ao que em mim não negocia.

 

 

 

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